Crânios de crocodilos modernos são cinco vezes mais fracos que ancestrais, aponta estudo
Estudo aponta que crânios de crocodilos modernos são mais fracos que ancestrais Um estudo inédito feito com fósseis do Museu de Paleontologia de Monte Alto ...
Estudo aponta que crânios de crocodilos modernos são mais fracos que ancestrais Um estudo inédito feito com fósseis do Museu de Paleontologia de Monte Alto (SP) mostra que os crânios de crocodilos modernos são cinco vezes mais fracos do que os crânios de ancestrais. O resultado fortalece hipóteses de pesquisadores sobre a 'troca' entre força da mordida e adaptações aquáticas, relacionadas às formas dos crânios de crocodilos extintos (que eram totalmente terrestres) e modernos (que são semiaquáticos). "Esta descoberta amplia o conhecimento sobre a evolução dos crânios de crocodilos ao longo do tempo geológico", diz a paleontóloga Sandra Tavares, diretora do museu em Monte Alto. A pesquisa, publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B, foi liderada por paleontólogos da Universidade de Bristol em parceria com a Universidade de Hull, ambas na Inglaterra, e contou com a participação de paleontólogos brasileiros. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Perda de características Ao g1, a paleontóloga explicou que, apesar de mais fortes fisicamente e mais adaptáveis, os crocodilos atuais 'perderam' características importantes no processo de evolução. "Os crânios dos crocodilos atuais evoluíram para crânios mais achatados e fracos com relação aos crânios de seus ancestrais, com a anatomia do crânio em forma de cúpula, tornando-os capazes de se adaptar a diversos tipos de alimentação conforme o formato de seus crânios", diz. Fósseis de Baurusuchus salgadoensis, Montealtosuchus arrudai e Caipirasuchus paulistanus Arte/Luciano Vidal Crânios foram construídos digitalmente Para que os pesquisadores chegassem aos resultados, foram comparados seis crânios de crocodiliformes, três extintos - que viveram no período Cretáceo na Bacia Bauru do Brasil, região de Monte Alto - e três modernos: Extintos: Baurusuchus salgadoensis, Montealtosuchus arrudacamposi e Caipirasuchus paulistanus Modernos: Crocodylus niloticus, Alligator mississippiensis e Paleosuchus palpebrosus "As três espécies extintas possuem crânios em forma de cúpula (oreinirostral), adaptados para ambientes terrestres, enquanto os modernos têm crânios achatados e largos (platirostral) ágeis em ambientes aquáticos", explica Sandra. Ainda segundo a paleontóloga, com os crânios de crocodilos em mãos, os pesquisadores utilizaram imagens de tomografia computadorizada para a análise. "Reconstruímos digitalmente os crânios e a musculatura da mandíbula dos crocodilos para analisar a função dos crânios. Utilizamos simulações de engenharia [Análise de Elementos Finitos - FEA] para análises funcionais, comparando as diferenças dos crânios durante o desempenho alimentar". LEIA TAMBÉM: Paleontóloga de Monte Alto ganha nome de espécie de crocodilo recém-descoberta Descoberta de fóssil que deu origem ao Museu de Monte Alto completa 40 anos Veja como os dinossauros nos ajudam a entender a evolução Pesquisadores descobriram que crânios de crocodilos modernos são 5 vezes mais fracos que crânios de ancestrais Arte/Luciano Vidal Fabiano Iori, paleontólogo que também participou do estudo, revela que a FEA análise ajudou a compreender como crocodilos pré-históricos agiam de fato, deixando de lado as especulações. "Por muito tempo, pesquisadores trabalhavam suas imaginações tentando descobrir possíveis hábitos das espécies com as quais estudavam, muitas vezes de forma especulativa por não ter como submeter espécimes fossilizados e testes de força. Neste processo, modelos 3D dos crânios são gerados e divididos virtualmente em vários polígonos, que serão analisados por um software. Considerando os locais de articulação crânio-mandíbula e músculos envolvidos na mastigação é possível responder muitas das nossas 'curiosidades'". Descoberta amplia conhecimento sobre espécies brasileiras Segundo Fabiano Iori, a descoberta tem dois pontos importantes: o primeiro é a possibilidade de analisar a performance mecânica em uma linhagem evolutiva, e o segundo, correlacionar estes mecanismos em grupos distintos, que é um indicativo de pressão ambiental conduzindo a evolução. Ainda segundo Iori, o estudo amplia o conhecimento específico sobre três espécies brasileiras. "Descobrimos que os carnívoros Baurusuchus salgadoensis e Montealtosuchus arrudacamposi, além do herbívoro/onívoro Caipirasuchus paulistanus, possuíam mordidas eficazes e com estresse mecânico muito baixo, denotando alto grau de especialização. Além disso, nossos dados contribuem para entender aspectos evolutivos dentre a linhagem dos crocodiliformes". Crânios de crocodilos durante o processo de evolução Ananth Srinivas Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região