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É o mesmo tamanduá-bandeira? Cientistas encontram na pelagem as pistas para descobrir

Marcas na pelagem ajudam a identificar tamanduás-bandeira individualmente Alessandra Bertassoni À primeira vista, dois tamanduás-bandeira podem parecer prati...

É o mesmo tamanduá-bandeira? Cientistas encontram na pelagem as pistas para descobrir
É o mesmo tamanduá-bandeira? Cientistas encontram na pelagem as pistas para descobrir (Foto: Reprodução)

Marcas na pelagem ajudam a identificar tamanduás-bandeira individualmente Alessandra Bertassoni À primeira vista, dois tamanduás-bandeira podem parecer praticamente iguais. Mas basta observar alguns detalhes com atenção para encontrar diferenças entre eles. O formato das faixas no dorso, o desenho das manchas nas patas e até a maneira como determinados padrões começam e terminam podem ajudar pesquisadores a descobrir se uma fotografia mostra um animal já registrado anteriormente ou um novo indivíduo. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A partir dessa ideia pesquisadores criaram um catálogo visual das características da pelagem do tamanduá-bandeira. O trabalho, publicado na revista científica Mammal Research, organiza diferentes padrões encontrados na espécie e pode tornar mais precisa a identificação de animais fotografados na natureza. A proposta é especialmente útil para pesquisas que utilizam armadilhas fotográficas. Em vez de apenas registrar a presença de um tamanduá em determinada área, as imagens podem ajudar a acompanhar indivíduos ao longo do tempo. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: PARECE FLOR, MAS É ARANHA: Ela usa sinal invisível aos humanos para caçar ‘PAISAGEM DO MEDO’: Macacos e elefantes mudam forma de se locomover quando percebem perigo AO MUNDO: Brasil leva à Europa experiências para devolver animais a locais onde desapareceram O que os pesquisadores procuram na fotografia Não existe uma única marca que funcione como um código exclusivo. A identificação acontece pela combinação de vários detalhes. Entre os principais estão as faixas claras e escuras do dorso, as manchas próximas ao cotovelo e o chamado bracelete, uma marca localizada nas patas dianteiras. O formato, a espessura, a curvatura, a distância entre os desenhos e a maneira como eles se encontram também entram na comparação. Características do pulso, do pé traseiro e da crista podem complementar a análise. “A ‘impressão digital’ de reconhecimento do tamanduá-bandeira é a identificação de um conjunto de padrões únicos de pelagem que existem nos diferentes indivíduos. Na prática, é necessário treinar o olho do observador para todo esse conjunto, porque os tamanduás-bandeira podem, à primeira vista, parecer muito semelhantes”, explica Alessandra Bertassoni, bióloga e pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). Identificação acontece pela combinação de vários detalhes Instituto de Conservação de Animais Silvestres Por isso, a comparação não deve ser feita olhando apenas para uma mancha ou uma faixa. O que dá segurança ao pesquisador é encontrar uma combinação de características que se repete nas fotografias. De acordo com Gabriel Massocato, biólogo do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), para identificar um animal é preciso observar várias características na pelagem e, assim, usar a combinação desses padrões únicos. “A espessura e curvatura das faixas brancas e a faixa escura no dorso, a forma da mancha na região do cotovelo, bracelete, punho na pata dianteira e também a coloração do dorso do pé traseiro são importantes”. Uma fotografia precisa mostrar mais do que a espécie O método depende diretamente da qualidade dos registros. Uma câmera pode fotografar um tamanduá, por exemplo, mas isso não significa que a imagem será suficiente para dizer qual indivíduo apareceu diante da lente. Posição do animal, ângulo da câmera, lado do corpo registrado, iluminação, nitidez e até obstáculos que escondam parte da pelagem podem dificultar a identificação. Para desenvolver o catálogo, os pesquisadores analisaram 553 registros de tamanduás-bandeira obtidos por armadilhas fotográficas no Pantanal e no Cerrado. Depois de aproximadamente 120 horas de análise, 36 imagens foram consideradas adequadas para representar os diferentes padrões no catálogo. “O registro fotográfico do tamanduá-bandeira pode ser de dia ou de noite. A qualquer momento você consegue fazer a identificação, mas os padrões de pelagem precisam estar visíveis. Ou seja, não basta o tamanduá aparecer na fotografia. Precisamos enxergar com clareza uma combinação de características que permita compará-lo com segurança a outros registros”, afirma Gabriel. Isso explica por que uma imagem aparentemente boa para registrar a presença de um animal pode não servir para identificá-lo individualmente. Cada registro pode contar uma parte da história Saber qual tamanduá aparece em uma fotografia muda o tipo de informação que uma armadilha fotográfica pode oferecer. Em vez de apenas indicar que a espécie está presente em determinado local, os registros permitem acompanhar animais ao longo do tempo. É possível investigar, por exemplo, quais ambientes são utilizados por determinados indivíduos, quanto tempo eles permanecem em uma região e se voltam a aparecer meses ou até anos depois. Segundo Alessandra Bertassoni, “reconhecer os indivíduos de tamanduás que habitam determinadas áreas é uma ação importante para entender principalmente quais ambientes eles utilizam e por quanto tempo eles permanecem naquele local, além de fazer estudos a longo prazo de determinados indivíduos ou da população local”. O tamanduá-bandeira é considerado Vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) Alessandra Bertassoni A identificação individual também pode contribuir para estimativas populacionais, um dado importante para o planejamento de estratégias de conservação. “Nesse trabalho de reconhecimento individual podemos fazer estimativas populacionais e assim ajudar em ações de conservação da espécie”, completa Gabriel. O tamanduá-bandeira é considerado Vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e o acompanhamento de indivíduos pode ampliar o conhecimento sobre a dinâmica das populações. Próximo passo pode envolver inteligência artificial Se hoje o reconhecimento depende do olhar treinado de pesquisadores, a expectativa é que esse trabalho possa ganhar um reforço tecnológico. O catálogo organiza justamente as características que precisam ser observadas. Com um banco de imagens suficientemente amplo, essas informações podem ser utilizadas para treinar sistemas de inteligência artificial capazes de auxiliar na identificação dos animais. “Com o banco de imagens que possuímos, iremos dar início ao treinamento da linguagem IA no processo de usar as características de individualização na pelagem, a identidade visual de cada animal, e ir treinando a linguagem da IA para automatizar o processo de reconhecimento individual”, conta Gabriel. A possibilidade é especialmente interessante diante do volume de fotografias produzido por projetos de monitoramento. Um sistema automatizado poderia ajudar a encontrar imagens do mesmo indivíduo em grandes conjuntos de registros, deixando para os pesquisadores a etapa de conferência e interpretação dos resultados. “Acreditamos muito que a IA vai ser capaz de nos ajudar de uma forma muito rápida nesse trabalho de individualização e automatizar todo o processo que hoje leva muitas horas de trabalho”, afirma Alessandra. A metodologia também pode ser testada em outras espécies que apresentam diferenças individuais mais discretas na pelagem, como tamanduás-mirins, antas e onças-pardas. Mais do que criar um catálogo de manchas e faixas, o estudo organiza uma maneira de transformar essas pequenas diferenças em informação científica. Na prática, uma fotografia que antes apenas mostrava um tamanduá pode passar a ajudar a contar a história daquele indivíduo dentro da paisagem. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

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