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Filha rifa o próprio carro para pagar cirurgia da mãe com câncer raro conhecido como 'barriga de gelatina'

Filha rifa o próprio carro para pagar cirurgia da mãe com câncer raro Para tentar salvar a mãe, diagnosticada com um câncer raro que atinge as paredes do a...

Filha rifa o próprio carro para pagar cirurgia da mãe com câncer raro conhecido como 'barriga de gelatina'
Filha rifa o próprio carro para pagar cirurgia da mãe com câncer raro conhecido como 'barriga de gelatina' (Foto: Reprodução)

Filha rifa o próprio carro para pagar cirurgia da mãe com câncer raro Para tentar salvar a mãe, diagnosticada com um câncer raro que atinge as paredes do abdômen, conhecido como "barriga de gelatina", uma filha decidiu rifar o próprio carro em São José do Rio Preto (SP). O tratamento indicado custa cerca de R$ 300 mil e precisa ser feito com urgência, segundo a família. Maria das Graças Nogueira Dias, de 76 anos, foi diagnosticada em junho de 2019 com pseudomixoma peritoneal, tumor que, na maioria das vezes, se origina no apêndice. Este câncer é caracterizado pela liberação de células cancerígenas produtoras de muco que se espalham e se acumulam nas paredes do abdômen. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp A filha, Regiana Nogueira Dias, contou ao g1 que, na época, a mãe sentia dores abdominais e, após exames, passou por cirurgia para retirada do tumor e iniciou acompanhamento oncológico. Regiana rifa o próprio carro para pagar cirurgia da mãe com câncer em Rio Preto (SP) Regiana Nogueira Dias/Arquivo pessoal Em 2020, exames de imagem indicaram a remissão da doença. "Nós confiamos que ela estava de fato curada, confiamos no que o médico dizia. Ficamos tranquilas", relatou a filha. No entanto, em janeiro de 2021, uma nova avaliação identificou uma confluência da doença. Um exame por ressonância magnética feito no dia 28 de janeiro deste ano, ao qual o g1 teve acesso, apontou nódulos com características de implantes mucinosos com células tumorais, o que evidencia a progressão da doença. "Essa doença não invade os órgãos. Ela cria uma gelatina em volta e obstrui totalmente o sistema digestivo. A pessoa fica sem comer ou beber, não pode passar sonda. Com o tempo, os órgãos param por desnutrição ou desidratação", lamenta a filha. A doença permanece em grau considerado indolente, ou seja, cresce de forma lenta, assintomática, mas, mesmo assim, exige tratamento especializado. Maria das Graças Nogueira Dias foi diagnosticada com câncer peritoneal em Rio Preto (SP) Regiana Nogueira Dias/Arquivo pessoal Maria das Graças Nogueira Dias, diagnosticada com câncer, ao lado da filha, Regiana, moram em Rio Preto (SP) Regiana Nogueira Dias/Arquivo pessoal Tratamento de alta complexidade Agora, a indicação médica repassada à família é a realização de uma cirurgia de citorredução associada ao HIPEC (Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica), técnica avançada utilizada em casos de tumores que se espalham pela cavidade abdominal. O procedimento envolve a retirada cirúrgica dos implantes tumorais e, na sequência, a aplicação de quimioterapia aquecida diretamente no abdômen. De acordo com Regiana, o alto custo se deve à complexidade do tratamento. "É uma cirurgia de grande porte, precisa de UTI, dias de internação, nutrição parenteral, fisioterapia, médico especializado em doença rara, aluguel da máquina de perfusão e contratação de perfusionista", explicou a filha. Initial plugin text Ela afirma ainda que o medicamento utilizado, a mitomicina, precisa ser importado e não é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nem por planos de saúde. A família tentou atendimento em hospital especializado em Barretos (SP), mas, segundo relato, não obteve retorno após o envio da documentação solicitada. O g1 questionou o hospital sobre o tratamento supostamente recusado, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Um novo plano de saúde foi contratado, porém ainda há sete meses para o fim da carência, ou seja, o período inicial obrigatório que o cliente deve aguardar para utilizar o serviço para doenças preexistentes. Além disso, os especialistas indicados não atendem pelo convênio. Diante da urgência, a família pretende fazer um pedido administrativo junto ao plano de saúde assim que terminar o período de carência, previsto para 1º de setembro. De acordo com a filha, somente após esta data o plano poderá cobrir a parte hospitalar do procedimento. Regiana ao lado da mãe, Maria das Graças, em Rio Preto (SP) Regiana Nogueira Dias/Arquivo pessoal Caso haja negativa por parte da operadora, a família pretende recorrer à Justiça com pedido de liminar. Mesmo em caso de decisão favorável para cobertura hospitalar, ainda restariam custos elevados da medicação e do pós-operatório. A filha ressalta ainda que o pseudomixoma peritoneal não responde à quimioterapia sistêmica convencional nem à radioterapia. Segundo ela, a cirurgia associada ao HIPEC é atualmente a alternativa para conter o avanço da doença. Diante da falta de recursos, a filha decidiu rifar o próprio carro no mesmo dia em que recebeu o resultado da ressonância que confirmou a necessidade da cirurgia. Até o momento, Regiana explicou que arrecadou R$ 63 mil. Enquanto espera para reunir o valor necessário para a cirurgia, a filha disse que o momento é de ansiedade e incerteza. "Eu não quero carro. Só quero a minha mãe. Me dói o coração, toda a ansiedade e a incerteza que ela passa, justo ela, tão boa. Uma doença difícil de os médicos direcionarem para o tratamento correto, que é caro", finaliza a filha. Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

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