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Hitler e Mussolini: o que dizem obras sobre ditadores sugeridas a educadores de Mogi das Cruzes

Dirigente de ensino de SP recomenda biografia de Hitler e é afastada do cargo O livro Mein Kampf (Minha Luta), de Adolf Hitler, recomendado pela ex-dirigente d...

Hitler e Mussolini: o que dizem obras sobre ditadores sugeridas a educadores de Mogi das Cruzes
Hitler e Mussolini: o que dizem obras sobre ditadores sugeridas a educadores de Mogi das Cruzes (Foto: Reprodução)

Dirigente de ensino de SP recomenda biografia de Hitler e é afastada do cargo O livro Mein Kampf (Minha Luta), de Adolf Hitler, recomendado pela ex-dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes Roselaine Batalha Silva a diretores de escolas, é conhecido como a “bíblia do nazismo” por reunir fundamentos dessa ideologia, segundo o professor de história Rafael Peretta. A indicação ocorreu durante uma reunião virtual realizada em 12 de agosto. Na ocasião, Roselaine discutia o conceito de liderança e citou Hitler e Benito Mussolini como exemplos de líderes cujas biografias seriam “estimulantes”. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Para Rafael, a recomendação foi inadequada porque apresentou uma obra ligada a um regime autoritário como possível exemplo de mobilização e liderança, sem a contextualização histórica necessária. “Foi uma fala totalmente infeliz e desconexa, que nada tem a ver com a educação. Fazer uma comparação sobre atrair massas e indicar uma leitura como Mein Kampf não tem sentido”, afirmou. LEIA TAMBÉM: Dirigente de ensino de SP é afastada após recomendar biografias de Hitler e Mussolini em reunião com diretores Roselaine deixou a função de dirigente nesta terça-feira (25). A Secretaria Estadual da Educação informou que instaurou uma apuração para verificar os fatos e as circunstâncias relacionados às declarações. O g1 procurou Roselaine Batalha Silva para comentar a decisão e as declarações feitas durante a reunião, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Dirigente de ensino de SP recomenda biografia de Hitler para diretores de escola Reprodução O que é Mein Kampf De acordo com o professor, Hitler começou a produzir o livro enquanto estava preso após uma tentativa fracassada de golpe em novembro de 1923, conhecida como Putsch de Munique ou Golpe da Cervejaria. Hitler escreveu a primeira parte da obra com a colaboração de Rudolf Hess, que atuava como seu secretário. Segundo Rafael, o texto reúne as ideias que serviram de base para a ideologia nazista. “A gente chama de ‘bíblia do nazismo’ porque ali está fundamentado o pensamento da ideologia nazista. Ali nasce, de forma escrita, o pensamento nazista”, explicou. Primeira página de exemplar de 1940 do livro "Mein Kampf", de Adolf Hitler, conhecido como ‘bíblia do nazismo’ REUTERS/Fabrizio Bensch O professor afirma que o livro apresenta ideias como a suposta superioridade da chamada raça ariana, o expansionismo alemão e ataques contra judeus e outras minorias étnicas e raciais. A obra também contém relatos sobre a vida de Hitler. Segundo Rafael, porém, parte dessas informações foi construída para favorecer a imagem do próprio autor, principalmente ao abordar a infância e a relação com o pai. “É um livro de pensamento nazista, mas que se mistura com a própria biografia de Hitler. Tem um aspecto político e também um aspecto pessoal daquele que se tornaria líder da Alemanha”, disse. Leitura exige propósito e contextualização Rafael afirma que não defende a proibição da obra. Para ele, documentos relacionados a regimes autoritários podem ser estudados com objetivos históricos e acadêmicos. A leitura, no entanto, precisa ser acompanhada de maturidade, análise crítica e conhecimento sobre o contexto em que o texto foi produzido. “A pessoa precisa ter maturidade e saber por que está lendo. Ler esse livro como uma leitura para distrair não tem sentido. Agora, ler com um propósito intelectual, para questionar e entender aquele pensamento, é válido”, afirmou. Segundo o professor, o problema não está apenas na indicação do livro, mas na forma como ele foi apresentado aos gestores escolares. Na avaliação dele, Mein Kampf não é uma obra sobre liderança ou estratégias para engajar pessoas. “Da forma como foi colocado, como indicação de algo para engajar as pessoas, está totalmente fora de contexto. O livro fala das ideias nazistas e da infância do próprio Hitler”, destacou. Mussolini e a propaganda fascista Rafael também comentou a referência a Benito Mussolini feita pela ex-dirigente. Segundo o professor, o ditador italiano mobilizava multidões principalmente por meio de discursos e do uso da propaganda. “Mussolini atraía multidões com discursos fantasiosos, discursos operísticos e com aquele merchandising. Aliás, esses regimes autoritários são campeões em fazer propaganda: prometem tudo, mas o que devolveram foi uma guerra de mais de 20 milhões de pessoas mortas”, afirmou. Para o professor, a capacidade de mobilizar pessoas não pode ser separada da violência e das consequências dos regimes comandados por Hitler e Mussolini. “Foi uma comparação com dois regimes violentos: o nazismo alemão e o fascismo italiano. Embora tenham características próprias, ambos tinham o autoritarismo como principal bandeira”, disse. Para Rafael, a declaração da então dirigente demonstrou falta de conhecimento sobre a obra e sobre o contexto histórico dos regimes mencionados. “Foi uma fala infeliz e que demonstrou desconhecimento histórico”, concluiu. Assista a mais notícias do Alto Tietê

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