cover
Tocando Agora:

Hora do Horror: o que é a atração em que jovem perdeu rim ao se ferir e como Hopi Hari tenta evitar acidentes

Hopi Hari: o que é a atração em que jovem perdeu rim ao se ferir A Justiça condenou o Hopi Hari a pagar indenizações por danos morais e estéticos, no val...

Hora do Horror: o que é a atração em que jovem perdeu rim ao se ferir e como Hopi Hari tenta evitar acidentes
Hora do Horror: o que é a atração em que jovem perdeu rim ao se ferir e como Hopi Hari tenta evitar acidentes (Foto: Reprodução)

Hopi Hari: o que é a atração em que jovem perdeu rim ao se ferir A Justiça condenou o Hopi Hari a pagar indenizações por danos morais e estéticos, no valor total de R$ 60 mil, a uma adolescente de 15 anos que perdeu um rim após se ferir durante uma atração do evento temático Hora do Horror, em novembro de 2023. O parque informou que irá recorrer da decisão. Em 2023, a Hora do Horror teve o tema "Tenebris - A Vingança dos Deuses", inspirado no Egito Antigo. O principal destaque do evento foi o "Templo Tenebris", um labirinto temático de percurso a pé no qual atores travestidos de monstros saltavam de esconderijos escuros para dar sustos, sem contato físico — entenda mais abaixo. O Hopi Hari informou que o Templo Tenebris foi uma atração de natureza temporária, montada de forma exclusiva para a temporada de 2023. Após o término do evento daquele ano, toda a estrutura física do brinquedo foi desmontada pelo parque. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Foi nessa atração que a adolescente, ao ser assustada e perseguida por um dos "monstros", correu, caiu e bateu o corpo contra uma estrutura rígida. Exames mostraram que o impacto provocou uma laceração do rim direito, sendo necessária a remoção total do órgão (nefrectomia). A cirurgia deixou a jovem com uma cicatriz de 17 centímetros no abdômen. Em nota, o parque se solidarizou com a visitante, mas avaliou que o acidente ocorreu por culpa exclusiva da adolescente, já que ela teria desrespeitado uma orientação da atração de não correr — confira as medidas de segurança e o posicionamento do Hopi Hari abaixo. O que é a Hora do Horror Hora do Horror de 2023 teve tema inspirado no Egito Antigo Anderson Torres/Hopi Hari A "Hora do Horror" é o principal evento sazonal do Hopi Hari. Ele ocorre anualmente, geralmente entre a segunda quinzena de agosto e meados de novembro. Em 2023, o festival ocorreu de 17 de agosto a 20 de novembro. Segundo o parque, o objetivo é explorar o imaginário do horror e a ludicidade do medo, por isso são recriadas atmosferas de filmes de terror com cenários sombrios, neblina, luzes, trilha sonora e, principalmente, atores fantasiados de monstros que assustam os visitantes sem tocá-los. "A proposta lúdica é justamente oferecer uma experiência de sustos programados, na qual o público aceita brincar com a sensação de horror em um ambiente controlado. É um evento sempre muito aguardado e que neste ano comemora sua 25ª edição", explicou o Hopi Hari. Nos dias comuns, o parque funciona das 11h às 19h30 e o foco está nos brinquedos eletromecânicos, bem como em shows, restaurantes, jogos de habilidade e atividades lúdicas. Já durante a temporada da Hora do Horror, o funcionamento é estendido às 20h30. A partir das 18h, a atmosfera do parque "vira a chave" com os cenários sombrios e os atores. Apenas duas áreas temáticas são mantidas neutras para visitantes. Edição de 2023 Imagem de arquivo do evento Hora do Horror 2023 Hopi Hari No caso da edição de 2023, o Hopi Hari recebeu 345.065 visitantes. O tema escolhido foi "Tenebris - A Vingança dos Deuses", inspirado no Egito Antigo. O parque foi dividido em duas áreas: Mistieri e Aribabiba, com atrações e cenários de terror. Além disso, houve uma apresentação musical de abertura. Os visitantes puderam ver personagens como Rá, o rei Sol, Seth, deus do Caos, e Osiris, deus do julgamento. Porém, todos estavam caracterizados de forma mais "horrorosa", para assustar as pessoas. A atração na qual a adolescente se feriu era o "Templo Tenebris", descrito ludicamente como a terra do submundo ou das coisas sombrias. Tratava-se de um ambiente fechado formado por túneis e salas conectadas por corredores de piso plano. A dinâmica consistia em fazer o visitante caminhar por esses espaços enquanto atores, travestidos de monstros, saltavam de esconderijos escuros para dar sustos. Medidas de segurança Templo Tenebris, do Hopi Hari, onde adolescente se feriu Hopi Hari De acordo com o Hopi Hari, na entrada do Templo Tenebris havia uma placa — de tamanho superior a de outras atrações — com as restrições e regras de segurança. Entre as orientações estavam: Capacidade máxima de 400 pessoas; Altura mínima de 1,20m; Recomendação contra a entrada de menores de 12 anos; Alertas sobre restrições de saúde; Ordem expressa de conduta no interior do brinquedo: "Não pare, não corra, não empurre e não toque em nada ou em alguém". Também foi disponibilizado suporte do ambulatório médico e duas ambulâncias para ocorrências. Segundo o parque, as orientações em placa afixada na entrada da atração e o suporte são padrões para todas as atividades. No caso da Hora do Horror, para lidar com a dinâmica de sustos, o Hopi Hari disse que adota a restrição de contato físico: os atores fantasiados demonstram o susto aos visitantes, mas jamais os tocam. O acesso às atrações é feito por visitação rotativa, respeitando a ordem da fila para evitar superlotação interna. Por sua vez, quanto à "correria", a medida preventiva do parque é a comunicação visual na entrada das atrações, que proíbe terminantemente o ato de correr e estipula que a caminhada seja feita em um piso estruturalmente plano e sem obstáculos ou pedestais nas vias de circulação, para evitar tropeços. Por que a Justiça condenou? Relatório de alta hospitalar anexado ao processo mostra que a adolescente precisou retirar o rim direito após o acidente no Hopi Hari em 2023 Reprodução Em primeira instância, o juiz já havia se manifestado contra a alegação do parque de culpa exclusiva da vítima. "Correr ao ser perseguida por pessoa travestida de monstro em ambiente escuro constitui reação instintiva absolutamente previsível e, mais do que isso, esperada e deliberadamente provocada pelo serviço oferecido. Não se pode atribuir ao consumidor a responsabilidade exclusiva por uma reação que o próprio fornecedor induziu e comercializou. O susto é o produto. A fuga é o resultado esperado. O risco físico decorrente dessa dinâmica em ambiente de visibilidade reduzida é ônus que recai sobre quem explora economicamente a atividade", destacou. Ou seja, para o magistrado a fuga de visitantes durante o evento de terror era esperada e o risco físico decorrente da atração é de quem promove e explora comercialmente a atividade. A decisão foi mantida pela 31ª Câmara de Direito Privado, a segunda instância. Ao analisar o caso, o relator destacou que reações de fuga, corrida ou perda momentânea de controle diante dos estímulos provocados pela própria atração não configuram fato imprevisível, uma vez que integram os riscos inerentes à atividade explorada pelo parque. O Hopi Hari apresentou embargos de declaração, que foram rejeitados pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) nesta segunda-feira (21). No recurso, o Hopi Hari alegou existência de omissões e contradições na decisão de 2ª instância. Os desembargadores, porém, entenderam que os argumentos já haviam sido analisados e que a empresa pretendia apenas rediscutir matérias decididas pelo colegiado. A indenização foi fixada em R$ 50 mil por danos morais, em razão da gravidade da perda definitiva do rim, da cirurgia invasiva, do abalo psicológico e das restrições permanentes impostas à rotina da adolescente, e outros R$ 10 mil por danos estéticos, em virtude da cicatriz. LEIA TAMBÉM Justiça mantém condenação do Hopi Hari após adolescente perder rim em atração de terror Mãe de jovem que perdeu movimentos após andar em montanha-russa diz que Hopi Hari cortou ajuda após alta Montanha-russa investigada pelo MP tem 42 metros de altura e percurso de 58 segundos Desaceleração brusca e 'efeito chicote': como montanha-russa pode provocar lesões neurológicas O que o Hopi Hari diz sobre a condenação Parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP) Patrícia Teixeira/G1 Em nota, o Hopi Hari se solidarizou com a visitante, porém, avaliou que o acidente ocorreu por culpa exclusiva da visitante, uma vez que ela teria "desrespeitado as orientações de segurança da atração". Por isso, o departamento jurídico irá recorrer da decisão. O parque também argumentou que os atores não tocaram na adolescente, que o chão do labirinto era totalmente plano, sem degraus, desníveis ou buracos que pudessem causar o acidente, inexistindo motivo para responsabilizar a empresa pelo fato, bem como que todas as saídas de emergência estavam funcionais. O Hopi Hari ainda destacou que o laudo da perita indicada pelo juiz concluiu que o parque não concorreu para o resultado. "O juiz decidiu pela condenação apenas pelo fato de o incidente ter ocorrido dentro das dependências do parque", ponderou. Por fim, a instituição afirmou que o vídeo da atração foi devidamente disponibilizado nos autos, "demonstrando que o templo não tinha desníveis, buracos, degraus ou qualquer outro obstáculo". "A autora entrou com ação em 28/06/2024, ao passo que o episódio ocorreu em 17/11/2023, 7 meses depois", finalizou. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Fale Conosco