Justiça determina prisão preventiva e afastamento de presidente da Câmara de Sumaré réu por tráfico de drogas
Justiça determina prisão preventiva e afastamento de presidente da Câmara de Sumaré A Justiça de Sumaré (SP) determinou nesta terça-feira (3) a prisão p...
Justiça determina prisão preventiva e afastamento de presidente da Câmara de Sumaré A Justiça de Sumaré (SP) determinou nesta terça-feira (3) a prisão preventiva de Hélio Silva (Cidadania) por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas na região. Além disso, ele deverá ser afastado da presidência da Câmara por, pelo menos, 180 dias. Na mesma decisão, o juiz Leonardo Delfino recebeu uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e tornou Hélio réu por associação para o tráfico, duas vezes por tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo e munições de uso permitido. Outros dois suspeitos também tiveram prisão preventiva decretada, bem como viraram réus na ação judicial: Maikon Baptista da Costa e Admilson da Silva. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Hélio, de 55 anos, foi preso em 9 de setembro durante a Operação Archimagus, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas. Segundo a investigação, ele era conhecido como “Mister M” e teria financiado a compra, o armazenamento e a distribuição de drogas. Ele já estava afastado da Câmara por iniciativa própria. No entanto, a decisão judicial proíbe, de vez, o acesso às dependências e o uso de veículos, servidores, sistemas e quaisquer bens ou recursos do Legislativo. Em nota, a Câmara de Sumaré informou que foi notificada da decisão e disse que adotará todas as providências necessárias para o cumprimento da decisão judicial, respeitando os procedimentos previstos no Regimento Interno e na legislação vigente. "A Câmara ressalta que suas atividades legislativas e administrativas seguem normalmente, sob a condução do vereador Lucas Agostinho, primeiro vice-presidente da Mesa Diretora, que já exerce interinamente a presidência da Casa, garantindo a continuidade dos trabalhos e dos serviços prestados", completou. O g1 procurou o advogado do vereador, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem. Já as defesas de Maikon e Admilson não foram localizadas. O que a Justiça considerou para tomar a decisão Hélio Silva, vereador de Sumaré (SP) Câmara de Sumaré A investigação teve origem em notícia-crime recebida pela Ficco, segundo a qual Hélio financiaria a aquisição de drogas, armazenadas em um sítio em Jacutinga (MG) e destinadas a pontos de venda situados em Sumaré (SP). Maikon e Admilson seriam responsáveis pelas vendas, e há registros, nas investigações, de encontros com Hélio, nos quais o vereador supostamente usou o carro oficial da Câmara e recebeu sacolas com volumes que aparentavam ser dinheiro. Tanto Maikon quanto Admilson foram presos em flagrante em pontos de venda. O juiz listou seis indícios para decretar a prisão de Hélio: Encontros com outros investigados: os encontros eram breves e reiterados. Eles aconteciam na Panificadora Recanto da Praça, imóvel de propriedade do vereador, situado nas proximidades de dois pontos de venda de drogas identificados; Apreensão em carro da Câmara: guardado na garagem da residência da avó de Hélio, foram apreendidos, dentro de uma sacola plástica, dois aparelhos celulares e a quantia de R$ 6,7 mil em espécie. Em um dos celulares, a polícia identificou trocas de mensagens sobre pagamentos e negociações de lidocaína, tetracaína, barrilha, éter e cafeína, insumos usados na adulteração e no preparo de cocaína; Extratos bancários: Hélio mantinha no gabinete da Presidência da Câmara extratos bancários de um homem que foi encontrado morto, em 2022. Na época, a polícia encontrou na casa do falecido os mesmos insumos negociados para preparo de cocaína; Áudio do filho: áudios anexados ao processo e atribuídos pela investigação ao filho de Hélio mencionam uma “biqueira” ligada ao vereador. A EPTV, afiliada da TV Globo, teve acesso às gravações; Dimensão financeira: no celular compartilhado com o filho, há fotografias, produzidas na residência de Hélio em 2026, de expressiva quantidade de dinheiro em espécie, parte delas retratando pessoa com acessórios compatíveis com os usados por ele manuseando maços de cédulas, e diálogos em que o denunciado determina ao filho a realização de transferências via PIX a terceiros e acompanha o saldo da conta. Há, ainda, suspeita de dissociação de patrimônio; Armas: no sítio do vereador, foi apreendido um revólver que tinha sido furtado. Além disso, nenhuma das armas do acervo de colecionador, atirador e caçador estava no endereço registrado para guarda. "Esse conjunto, examinado na profundidade própria desta fase, revela indícios suficientes de que Hélio financia e coordena a aquisição de drogas e de insumos de refino, há vários anos, e controla pontos de venda neste município de Sumaré por intermédio de prepostos, entre eles Maikon e Admilson", afirmou Delfino. A recorrência das atividades, o grande valor econômico envolvido, o uso da estrutura da Câmara, a presença de armas de fogo e a capacidade de intimidação, até mesmo por conta da posição de líder do suposto esquema criminoso, foram citados como fatores de risco que justificariam a prisão preventiva. "Hélio não é apontado como integrante subalterno, mas como quem adquire os carregamentos, paga por eles, compra os insumos de refino e coordena os prepostos que abastecem e vendem", ponderou o juiz. "Está nos autos a mensagem em que pessoa do círculo familiar do denunciado, ao cobrar terceiro por danos materiais, apresenta-se como parente de 'Mister M', o famoso vereador, e adverte que, quando o PCC bater na porta ou aparecer por trás, o interlocutor não deve estranhar, mensagem que o próprio Hélio guardou em seu arquivo pessoal", completou. Já nos casos de Maikon e Admilson foram consideradas a prisão em flagrante e a recorrência da atuação com tráfico de drogas. Afastamento do cargo Justiça prorroga por 30 dias prisão de Hélio Silva, presidente da Câmara de Sumaré Na decisão, a Justiça coloca que, embora ainda não seja possível determinar a perda do cargo, já que não há sentença condenatória transitada em julgado — quando não há possibilidade de recurso —, é necessário afastar Hélio da cadeira do Legislativo. "Enquanto permanecer formalmente no exercício do mandato e da Presidência, ainda que preso, o denunciado conserva a titularidade de prerrogativas e a possibilidade de exercê-las por meio de assessores, servidores de confiança e familiares que frequentam o gabinete, o que a prisão, por si só, não neutraliza", explicou. Apesar do afastamento, o vereador poderá receber o salário, a menos que a própria Casa determine a suspensão dos pagamentos. Operação Archimagus Operação contra tráfico de drogas prendeu presidente da Câmara de Sumaré 1º Baep/Divulgação A Operação Archimagus foi realizada pela Ficco de Campinas. A força reúne integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, e agentes das polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e Civil de São Paulo, além de guardas municipais de Paulínia. Na operação de 9 de setembro, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e 10 de busca e apreensão em Campinas, Sumaré e Vinhedo (SP), além de Jacutinga (MG). Um sítio também foi alvo das buscas. A suspeita é de que o imóvel tenha sido usado para armazenar drogas. Em um dos imóveis, os agentes encontraram o espaço onde o vereador mantinha armas de fogo. Na casa de Hélio, os agentes apreenderam: uma pistola calibre .380; uma carabina; 105 munições; R$ 18.215 em dinheiro; documentos; sete cordões de ouro; duas pulseiras; dois anéis; dois relógios; cinco celulares. Em outros endereços, foram apreendidos R$ 6,7 mil em dinheiro, um celular e 892 gramas de maconha. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas