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Justiça militar torna réus PMs que liberaram motorista de Porsche sem fazer bafômetro após acidente com morte em SP

Vídeo: Veja como PMs liberaram motorista de Porsche sem teste do bafômetro A Justiça Militar de São Paulo tornou réus dois policiais militares que liberara...

Justiça militar torna réus PMs que liberaram motorista de Porsche sem fazer bafômetro após acidente com morte em SP
Justiça militar torna réus PMs que liberaram motorista de Porsche sem fazer bafômetro após acidente com morte em SP (Foto: Reprodução)

Vídeo: Veja como PMs liberaram motorista de Porsche sem teste do bafômetro A Justiça Militar de São Paulo tornou réus dois policiais militares que liberaram o condutor de um Porsche após um acidente que matou um motorista de aplicativo na Zona Leste da capital, em março de 2024. A decisão de receber a denúncia apresentada pela Promotoria de Justiça Militar foi tomada na quinta-feira (22). Os policiais Daisy Aparecida Cardoso Romão e Thiago Silva Batista foram denunciados pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução, na modalidade de tolerância. De acordo com o MP, os PMs permitiram que o motorista Fernando Sastre deixasse o local do acidente sem fazer o teste do bafômetro. Ele só se apresentou à autoridade policial 36 horas depois da colisão. A acusação é de que eles descumpriram normas de serviço e procedimentos operacionais aplicáveis ao atendimento de acidentes de trânsito com vítimas. Para a Promotoria, a conduta prejudicou a investigação do homicídio e causou prejuízo à administração militar. Entre as falhas apontadas, também estão a falta de preservação do local do acidente e o acionamento inadequado de uma das câmeras corporais utilizadas pelos policiais. O caso aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. O Porsche conduzido por Fernando atingiu um Renault Sandero dirigido pelo motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, que morreu após ser levado a um hospital. Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo do empresário e passageiro do carro de luxo, sofreu ferimentos graves. PMs liberaram motorista após conversa com a mãe Imagens e áudios das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência mostram como Fernando foi autorizado a deixar o local sem realizar o teste do bafômetro. Os registros, aos quais a TV Globo e o g1 tiveram acesso, incluem conversas dos agentes com o empresário, a mãe dele e testemunhas do acidente. Inicialmente, os policiais chegaram a impedir que Fernando e Daniela fossem embora quando perceberam que os dois estavam saindo do local da colisão. Os agentes abordaram a dupla e recolheram os dados do motorista. Fernando Sastre de Andrade Filho (foto) é o motorista do Porsche envolvido no acidente que matou um motorista por aplicativo. Reprodução/TV Globo A situação mudou depois que Daniela argumentou que o filho estava ferido e precisava ser levado a um hospital. Nas imagens, ela chama a atenção para o sangramento no nariz do empresário. Em um dos trechos gravados, um policial pergunta à mulher para qual hospital ela levaria o filho. Daniela responde que iria ao Hospital São Luiz. Na sequência, um dos agentes autoriza a saída do motorista. Segundo a denúncia, as imagens das câmeras corporais indicavam que Fernando havia consumido bebida alcoólica antes da colisão. Os próprios policiais chegaram a conversar com um bombeiro e mencionar sinais de embriaguez apresentados pelo motorista. Mesmo diante dessa suspeita, os agentes liberaram o empresário sem realizar o teste do bafômetro. Na ocasião, os policiais não tinham o equipamento necessário para fazer o exame. À época, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) reconheceu que os policiais erraram ao liberar o motorista sem verificar se ele havia ingerido álcool. A Corregedoria da PM passou a investigar os dois policiais por suspeita de descumprimento dos protocolos de atendimento em acidentes com vítimas. Porsche estava acima do limite de velocidade A colisão ocorreu em um trecho da Avenida Salim Farah Maluf onde o limite de velocidade era de 50 km/h. Um laudo da Polícia Técnico-Científica apontou que o Porsche trafegava a 156,4 km/h antes do acidente. Uma testemunha relatou aos policiais, conforme registro das câmeras corporais, que o Porsche havia ultrapassado o veículo em que ela estava pouco antes da colisão. A investigação também reuniu relatos de testemunhas que afirmaram que Fernando havia bebido antes de dirigir. Uma comanda de um bar indicou o consumo de bebidas pelo empresário e por amigos no estabelecimento. Marcus Vinicius, o amigo que estava no banco do passageiro do Porsche, também afirmou que Fernando havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir. O passageiro sofreu fraturas em quatro costelas e precisou passar por uma cirurgia para a retirada do baço. Fernando negou ter bebido antes do acidente. Em interrogatório, também negou ter fugido do local. Motorista responde por homicídio doloso Fernando Sastre de Andrade Filho responde a processo por homicídio doloso na 5ª Vara do Júri da Capital. A investigação policial apontou suspeitas de homicídio por dolo eventual, lesão corporal e fuga do local do acidente. A mãe do empresário, Daniela Cristina de Medeiros Andrade, também foi indiciada por fuga do local do acidente, como coautora. O Tribunal de Justiça de São Paulo marcou para 29 de outubro de 2026 o júri popular de Fernando. Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo O que diz a defesa Jonas Marzagão, advogado de Fernando, diz que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente com morte que segue preso em São Paulo. "Todos os reús nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso do bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento", falou Marzagão. "Fernando não pediu socorro porque outras pessoas haviam telefonado e pedido, enquanto era retirado do carro. Mas ele ainda permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades", completou o advogado. O empresário Fernando Sastre, que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana Reprodução Traseira do Renault Sandero branco ficou destruída após ser atingida pelo Porsche azul Rômulo D'Ávila/TV Globo Vídeos mostram depoimentos de testemunhas do caso Porsche

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