Marquise do Ibirapuera alaga três dias após reabertura; obra custou R$ 87 milhões
Marquise do Ibirapuera alaga três dias após reabertura; obra custou R$ 87 milhões A Marquise do Parque Ibirapuera, recém-reaberta após seis anos fechada, f...
Marquise do Ibirapuera alaga três dias após reabertura; obra custou R$ 87 milhões A Marquise do Parque Ibirapuera, recém-reaberta após seis anos fechada, ficou completamente alagada durante o forte temporal que atingiu São Paulo na tarde desta terça-feira (27). Imagens mostram grande acúmulo de água sob a estrutura — projetada por Oscar Niemeyer — que chegou a invadir os banheiros do local. A requalificação da Marquise custou quase R$ 87 milhões. A Marquise do Ibirapuera foi reaberta no último sábado (24), na véspera do aniversário de 472 anos de São Paulo. O espaço estava fechado desde 2019 e totalmente interditado desde 2020, após laudos apontarem risco de colapso da estrutura (leia mais abaixo). A chuva intensa provocou uma série de transtornos na capital paulista. Além do alagamento na Marquise, vias importantes como a Rua da Consolação e a Avenida 23 de Maio ficaram temporariamente bloqueadas nesta terça. O Corpo de Bombeiros registrou, entre 14h e 18h28, 33 ocorrências de quedas de árvores, uma de desabamento e quatro de enchentes na capital e na região metropolitana. Estrutura recém-revitalizada ficou submersa durante forte chuva que atingiu a capital nesta terça (27); água invadiu até os banheiros. Reprodução Entre 15h e 16h45, toda a cidade entrou em estado de atenção para alagamentos, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A Defesa Civil emitiu alerta às 15h16, informando que o temporal se espalhava pelas zonas Sul, Oeste e Central. VÍDEO: árvore gigante derruba portão, entorta postes e cai sobre padaria na Zona Sul de SP Por causa da chuva e da queda de árvores sobre a rede elétrica, a Enel informou que mais de 80 mil imóveis ficaram sem luz na Grande São Paulo no pico do temporal. Às 18h30, o número havia caído para 69.057 clientes. Em nota, a concessionária de energia informou que "mantém as equipes mobilizadas, com seu plano de contingência para o verão em andamento. Após as chuvas que atingiram a área de concessão na tarde desta terça-feira (27), às 19h00, a companhia atua para atender cerca de 60 mil clientes impactados, o que representa menos de 0,7% da base da distribuidora”. Reabertura da marquise A Marquise do Ibirapuera foi reaberta no último sábado (24), na véspera do aniversário de 472 anos de São Paulo. O espaço estava fechado desde 2019 e totalmente interditado desde 2020, após laudos apontarem risco de colapso da estrutura. Inaugurada em 1954 junto com o parque, a Marquise tem cerca de 27 mil metros quadrados e liga diferentes equipamentos culturais e áreas de lazer. Ao longo dos anos, acumulou problemas como rachaduras e infiltrações. Em novembro de 2017, parte do revestimento do teto chegou a desabar, o que acelerou as interdições. As obras de requalificação começaram apenas em 2024 e foram executadas pela concessionária Urbia, com recursos da Prefeitura de São Paulo. O investimento de quase R$ 87 milhões incluiu recuperação de piso, pilares, vigas, forro e sistema de iluminação. Na cerimônia de reabertura, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) comemorou a entrega do espaço. “Dia de alegria para nós, dia da gente poder fazer essa entrega importante desse patrimônio da cidade”, afirmou. Para frequentadores antigos, a reabertura simbolizou um reencontro. “É tradicional, a gente vem desde criança aqui, sempre aproveitou”, disse o geógrafo Jorge Patrick. Após chuva, árvore gigante cai na Rua da Consolação, e CET bloqueia o sentido Centro da via Reprodução/TV Globo Em novembro do ano passado, conforme mostrou o g1, o secretário do Verde e Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi, apresentou ao Conselho Gestor do Parque Ibirapuera uma proposta para restringir o uso de patins, skates, bicicletas, patinetes e até piqueniques na Marquise. Após críticas, o secretário recuou e passou a defender o uso compartilhado do espaço. Procuradas após o alagamento desta terça-feira, a Prefeitura de São Paulo e a concessionária Urbia não retornaram até a última atualização desta reportagem. Alagamento na Avenida 23 de Maio, em SP Reprodução/TV Globo Terminal João Dias, Zona Sul de SP, com ponto de alagamento nesta terça-feira (27) Alagamentos na capital paulista Um levantamento exclusivo da TV Globo, com dados municipais, mostra que os alagamentos e as inundações causados pelas chuvas estão cada vez mais frequente na capital. Oficialmente, a prefeitura faz uma separação entre o que é alagamento e o que é inundação. Alagamento é o acúmulo de água da chuva nas ruas, principalmente em locais mais baixos, por falta de drenagem ou escoamento. Já a inundação é quando o excesso de chuva faz um rio ou córrego transbordar, e a água cobre as áreas do entorno. Coisas diferentes, mas com algo em comum: as duas cresceram no ano passado na cidade de São Paulo. Foi registrada uma alta de 31% no caso dos alagamentos e de 61% nas inundações na comparação com os registros de 2024. Para o professor Anderson Kazuo Nakano, da Universidade Federal de São Paulo, a cidade precisa investir em alternativas para reter a água da chuva. “Sair dessa lógica e dessa solução única dos piscinões, pensar diferentes tipos de lagoas e formas de retenção de águas da chuva nos rios, nos córregos, em pontos mais altos da cidade, para evitar que seja lançado uma grande quantidade de água nas ruas, nas avenidas, principalmente ladeiras, que provocam essas enxurradas. É com grande força, com grande energia, que arrasta os carros e mata as pessoas.” Só nesse começo de verão, pelo menos quatro pessoas já morreram na região metropolitana em decorrência desses acúmulos de água. No último domingo (25), o funcionário público aposentado Romeu Maccione Neto, 75 anos, morreu afogado em uma enchente na rua onde morava, na Vila Guilherme, na Zona Norte de São Paulo Tempo de chuva na Zona Sul de SP no último domingo (25) Paola Patriarca/g1