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MC Danilo Boladão convivia com diabetes há mais de 20 anos e passou por amputações antes de morrer

Danilo precisou amputar dedão do pé esquerdo devido a complicações de diabetes Reprodução/@mcdaniloboladao e Arquivo pessoal Danilo Mariano Leão Laurean...

MC Danilo Boladão convivia com diabetes há mais de 20 anos e passou por amputações antes de morrer
MC Danilo Boladão convivia com diabetes há mais de 20 anos e passou por amputações antes de morrer (Foto: Reprodução)

Danilo precisou amputar dedão do pé esquerdo devido a complicações de diabetes Reprodução/@mcdaniloboladao e Arquivo pessoal Danilo Mariano Leão Laureano, o cantor que fez história como MC Danilo Boladão e morreu após sofrer paradas cardíacas em Santos, no litoral de São Paulo, convivia com complicações da diabetes desde 2006. Por este motivo, ele precisou passar por diversas amputações nos membros inferiores, como dedos do pé e calcanhar. A causa da morte ainda não foi confirmada. Ao g1, a viúva Thays Kolben contou que o companheiro de 47 anos acordou com falta de ar na madrugada desta quarta-feira (11) e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste, o hospital mais próximo da residência do casal. Ele não resistiu após sofrer três paradas cardíacas. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Em 2024, o músico explicou à equipe de reportagem que descobriu a diabetes tipo 1 em 2005, após sentir dores nas pernas e procurar um médico. Na ocasião, ele soube que estava com um problema de circulação nos membros inferiores devido a complicações da condição. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A primeira amputação aconteceu em 2006, quando dois dedos do pé direito necrosaram. Pouco depois, ele ainda foi diagnosticado com a doença arterial obstrutiva periférica (Daop) — segundo o Ministério da Saúde, ela causa a diminuição do fluxo sanguíneo arterial dos membros inferiores. Em 2017, outro dedo do mesmo membro também foi retirado em procedimento cirúrgico, mas os problemas do funkeiro não acabaram. Em 2021, ele voltou a ter problemas e precisou amputar parte do calcanhar, dessa vez do pé esquerdo. A última amputação foi realizada em 2024, quando retirou o dedão esquerdo, também devido a complicações da diabetes. Na época, ele afirmou ao g1 que o problema começou em uma unha encravada. Mc Danilo Boladão teve complicação com a diabetes e parte de seu calcanhar necrosou Arquivo Pessoal Estado de saúde Apesar das amputações, a esposa informou que o companheiro não tinha problemas cardíacos e estava bem nos últimos dias. "Foi tudo muito repentino, do nada. Ninguém estava esperando, ele não estava mal", disse Thays. Ainda de acordo com a mulher, o marido havia se curado de uma infecção. "Ele tinha tido uma infecção, fez 10 dias de antibiótico e estava super bem. Repetiu os exames, estava tudo normal, tudo estável", complementou. Segundo a viúva, a equipe da UPA suspeita que o infarto tenha sido causado por uma trombose. "Falaram que pode ser uma trombose que soltou o coágulo e foi parar no coração e infartou", lamentou ela, dizendo que aguardará a autópsia. MC Danilo Boladão morreu em Santos (SP) Arquivo Pessoal e Redes sociais Especialista explica O médico e professor de Medicina, Carlos Machado, afirmou ao g1 que apenas os exames de autópsia poderão confirmar se a morte do músico foi causada por uma trombose, e se há relação com a diabetes. "Do ponto de vista médico, a conexão entre diabetes e trombose é bem documentada na literatura científica", destacou o especialista. "A diabetes representa um fator de risco significativo para eventos tromboembólicos, o que reforça a importância do controle rigoroso da doença", acrescentou ele. De acordo com o médico, a hiperglicemia crônica provoca alterações no sistema de coagulação do sangue, tornando-o mais propenso à formação de coágulos. Além disso, Carlos afirmou que o dano vascular causado pela diabetes favorece a aterosclerose — o acúmulo de placas nas artérias —, que pode se romper e causar eventos como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). MC Danilo Boladão ajudou a consolidar o funk na Baixada Santista Redes sociais Diabetes A pedido do g1, o médico explicou o que é a diabetes, quais são os riscos e como controlar. Veja abaixo: ➡️O que é a diabetes? A diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de glicose (açúcar) no sangue, decorrente de falhas na produção ou na ação da insulina — o hormônio responsável por transportar esse açúcar para dentro das células como fonte de energia. ➡️Quais são os três tipos principais? No tipo 1, o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina, geralmente surge na infância ou adolescência. Já o tipo 2 e o mais comum, o organismo produz insulina, mas o corpo não a utiliza adequadamente. Está fortemente ligado ao sedentarismo, obesidade e má alimentação. Por fim, a diabetes gestacional, que ocorre durante a gravidez. ➡️Quais são os riscos? Quando não tratada ou mal controlada, age silenciosamente e compromete múltiplos órgãos ao longo dos anos. "O caso do MC Danilo Boladão ilustra esse processo: mais de 15 anos convivendo com a doença resultaram em amputações progressivas", afirmou o médico. ➡️Quais são as principais complicações? Doenças cardiovasculares: a hiperglicemia crônica danifica os vasos sanguíneos, aumentando o risco de infarto e AVC. Neuropatia diabética: lesões nos nervos causam formigamentos, dor e perda de sensibilidade, especialmente nos pés. Pé diabético: feridas que não cicatrizam, podendo evoluir para gangrena e amputações. Insuficiência renal: os rins são sobrecarregados pelo excesso de glicose no sangue. Retinopatia diabética: comprometimento da visão, podendo levar à cegueira. Maior susceptibilidade a infecções: o ambiente rico em glicose favorece a proliferação de bactérias e fungos, dificultando a cicatrização. ➡️Como controlar? Quando já diagnosticada, a diabetes pode ser controlada com hábitos e tratamento adequados. Confira alguns deles abaixo: Alimentação equilibrada: reduzir açúcares simples, ultraprocessados e gorduras saturadas. Priorizar fibras, vegetais e grãos integrais. Atividade física regular: ao menos 150 minutos por semana de exercício moderado. Manutenção do peso saudável: a obesidade é um dos principais fatores de risco. Exames periódicos: glicemia em jejum e hemoglobina glicada devem ser avaliados regularmente, especialmente após os 35 anos ou com histórico familiar. Adesão ao tratamento: para quem já tem o diagnóstico, o uso correto das medicações e o acompanhamento médico são indispensáveis. Cuidado com os pés: inspeção diária, higiene rigorosa e consultas frequentes ao especialista. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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