Médico que tocou seios de paciente para medir temperatura já havia importunado outras mulheres, dizem funcionários de UPA
Paciente diz que médico a tocou nos seios para medir temperatura em SP A delegada Juliana Paiva informou na quinta-feira (19) que vai investigar o médico Joã...
Paciente diz que médico a tocou nos seios para medir temperatura em SP A delegada Juliana Paiva informou na quinta-feira (19) que vai investigar o médico João Batista de Resende, de 67 anos, suspeito de importunar sexualmente uma paciente de 18 anos durante consulta em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Franca (SP). O caso aconteceu na tarde de quarta-feira (18), quando a vítima procurou a unidade por conta de uma dor de garganta. O médico chegou a tocar nos seios dela para medir a temperatura, dizendo que ela estava com febre. A Polícia Militar foi acionada e esteve no local. Segundo funcionários da UPA, fatos deste tipo eram recorrentes. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "Os próprios funcionários da UPA falaram que esse fato é recorrente, utilizando a expressão 'o doutor ataca novamente'. Ou seja, sabemos que, possivelmente, não é o primeiro caso", diz a delegada. Resende chegou a ser preso no mesmo dia, mas foi liberado em audiência de custódia na quinta-feira. O caso foi registrado como importunação sexual mediante fraude na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A Secretaria de Saúde informou que o médico foi afastado e instaurou um processo administrativo para apuração rigorosa dos fatos e ressaltou que vai adotar todas as medidas cabíveis. O g1 não conseguiu localizar a defesa do médico até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM Médico é afastado após tocar seios de paciente de 18 anos para medir temperatura em Franca Médica é vítima de assédio sexual durante jogo da Série A4 do Campeonato Paulista MP vai pedir que torcedores que importunaram médica prestem serviços em quartéis da polícia durante jogos de futebol UPA Jardim Aeroporto, Franca (SP) Lindomar Cailton/EPTV Médico não negou toque, mas gaguejou ao explicar motivo Em depoimento à polícia na tarde de quarta-feira, o médico não negou ter tocado os seios da vítima e, segundo a delegada, gaguejou ao ser questionado do porquê. "Ele assume que colocou a mão entre os seios. Questionado o porquê de estar aferindo a temperatura deste modo e se ainda é usual, ainda que ele não tivesse termômetro à disposição, se é usual medir a temperatura sob o seio da vítima, ele gaguejou, não soube explicar. Perguntei se a UPA não tem termômetro e ele simplesmente respondeu 'não pedi outro termômetro porque a vítima já havia passado por triagem e na triagem não havia dado alteração de temperatura'". A delegada disse que investiga se existem outras vítimas do médico. Na quinta-feira, uma mulher procurou a polícia para relatar uma situação parecida que aconteceu em 2019, que também será apurado. "Esta vítima de 2019 relatou que foi examinada por uma dor nas pernas e ele teria passado as mãos em suas pernas de maneira desconfortável, dirigindo o olhar para os seus seios, rindo de uma maneira inadequada e ainda com alguns assuntos estranhos 'é a primeira vez que eu te atendo?' Uma situação que, a priori, não está muito clara se houve importunação sexual. Mas o comportamento inadequado do autor já foi constatado de cara pela versão da vítima". Juliana Paiva, delegada da Delegacia de Defesa da Mulher de Franca, SP Lindomar Cailton/EPTV Suspeito aproveitou da situação Para a delegada Juliana Paiva, Resende utilizou da profissão para levar a vítima, de 18 anos, ao erro e aproveitou da situação. "Ela estava com uma infecção de garganta e procurou a UPA Jardim Aeroporto. Chegando lá, passou pela triagem e foi encaminhada para o médico, que é o autor dos fatos. Na triagem não tinha mostrado temperatura elevada, ele [o médico] decidiu aferir de um modo um pouco estranho, colocando as mãos entre os seios da vítima e, segundo a vítima, levantou a blusa e as mãos foram entre [a blusa e] o sutiã da vítima". Ainda segundo a delegada, a paciente ficou assustada, saiu da sala e ligou para a mãe. A mulher foi até o local e também acabou sofrendo importunação por parte do mesmo médico. "A genitora entrou já questionando quem seria o responsável pela UPA, que ela precisava fazer uma reclamação. Segundo o relato dessa genitora e também da vítima, o médico, não sabendo o que estava acontecendo, saiu de onde estava e ainda se referiu à mãe [da paciente] com a expressão 'e aí, morena?' Esse é o relato da genitora e da vítima. A partir desse momento, a genitora entrou em vias de fato por conta da revolta com o médico e foi chamada a Polícia Militar". Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região