Piloto que morreu após ultraleve cair em rio não possuía habilitação para este tipo de aeronave, aponta Cenipa
Queda de ultraleve em Pereira Barreto mata piloto e deixa passageiro ferido O piloto que morreu na queda de um ultraleve no Rio Tietê em fevereiro de 2024, em ...
Queda de ultraleve em Pereira Barreto mata piloto e deixa passageiro ferido O piloto que morreu na queda de um ultraleve no Rio Tietê em fevereiro de 2024, em Pereira Barreto (SP), não possuía habilitação para voar este tipo de aeronave. A informação consta no relatório final divulgado na quarta-feira (14) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB). O piloto e dono de uma oficina de motos em Sud Mennucci (SP), Rosivaldo Mendes da Silva, à época com 38 anos, morreu. Um passageiro foi socorrido com ferimentos graves e sobreviveu. De acordo com o documento, o ultraleve apresentava uma série de irregularidades que contribuíram para o acidente. Entenda abaixo. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Piloto morreu em queda de ultraleve em Pereira Barreto (SP) Reprodução O Cenipa verificou que a aeronave era do tipo anfíbia e o piloto não possuía a habilitação Aerodesportiva de Asa Fixa Aquática ou Anfíbia (AAFA), que é específica. Contudo, relatos apurados pelo órgão indicam que Rosivaldo pilotava aeronaves aerodesportivas há pelo menos 15 anos. 🔎A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) prevê nove categorias de habilitação para pilotos de aeronaves aerodesportivas, além de uma específica para instrutores de voo, conforme a Instrução Suplementar IS nº 61-004. O piloto obteve em janeiro de 2010 o Certificado de Piloto Desportivo (CPD), o qual era válido até janeiro de 2013. Portanto, ele ficou mais de uma década com o Certificado de Piloto Desportivo (CPD) fora do período de vigência, o que indica costume de operar em desacordo com os requisitos regulamentares. Ele iniciou a transição para obter o Certificado de Piloto Aerodesportivo (CPA) e a habilitação para aeronaves anfíbias em junho de 2023. Oito meses depois, ocorreu a queda. Além disso, a Caderneta Individual de Voo (CIV) digital não estava atualizava e continha apenas 12 horas e 40 minutos de voo registrados. Queda de ultraleve em Pereira Barreto (SP) Divulgação Detalhes do relatório A investigação técnica revelou uma série de irregularidades que contribuíram para a queda. Apesar do histórico na aviação, o condutor não possuía a habilitação específica exigida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para operar aeronaves aquáticas ou anfíbias. Na perícia realizada na estrutura, os investigadores encontraram diversos componentes adaptados do setor automotivo e não aeronáuticos instalados no motor, que recebia manutenção feita pelo próprio piloto. Entre as irregularidades listadas estão: Radiador de óleo e filtros de ar e de combustível de veículos terrestres; Abraçadeiras de uso geral; Fios elétricos remendados com fita isolante. O relatório também identificou componentes automotivos instalados no motor da aeronave, além de um reparo na fiação elétrica feito com fita isolante. Veja na imagem abaixoos componentes descritos na análise técnica. Entre os itens registrados estão: (1) Instalação da cablagem elétrica reparada com fita isolante; (2) Instrumentos automotivos; (3) Filtro de combustível automotivo; (4) Radiador de óleo automotivo. Componentes instalados no motor da aeronave em Pereira Barreto (SP) Cenipa/Divulgação Regras de tráfego aéreo Outro ponto determinante apontado pelos peritos foi a infração quanto às regras de tráfego aéreo: a decolagem ocorreu a partir de um aeródromo privado para observar o pôr do sol, mas o voo se estendeu para além do período diurno permitido. A legislação proíbe o voo noturno para aeronaves experimentais sem equipamentos específicos de navegação. Cerca de 10 minutos após a decolagem, o ultraleve inclinou-se de forma súbita para o lado esquerdo, perdeu sustentação e chocou-se violentamente contra a superfície da água. O Cenipa concluiu que a "inobservância de normas e regulamentos" foi o fator crítico para a tragédia, alertando que operar à margem das exigências da aviação civil compromete severamente a segurança. Queda de ultraleve matou piloto em Pereira Barreto (SP) Cenipa/Divulgação Relembre o caso O acidente aconteceu no dia 25 de fevereiro de 2024, no trecho do Rio Tietê próximo a Sud Mennucci (SP). Pescadores que navegavam na região viram o ultraleve cair e acionaram o socorro do Corpo de Bombeiros. Rosivaldo Mendes da Silva ficou preso à estrutura submersa e morreu no local. O passageiro que o acompanhava conseguiu ser resgatado com vida por moradores e pescadores locais, sofrendo uma fratura na perna, e foi encaminhado ao pronto-socorro do município. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM