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Prefeitura espera receber 16,5 milhões de foliões no carnaval de rua de SP; cidade terá 627 desfiles de blocos de rua

Foliões no Carnaval de 2025 ROBERTO SUNGI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO A uma semana do início do carnaval de rua na cidade de São Paulo, a Prefeitura anuncio...

Prefeitura espera receber 16,5 milhões de foliões no carnaval de rua de SP; cidade terá 627 desfiles de blocos de rua
Prefeitura espera receber 16,5 milhões de foliões no carnaval de rua de SP; cidade terá 627 desfiles de blocos de rua (Foto: Reprodução)

Foliões no Carnaval de 2025 ROBERTO SUNGI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO A uma semana do início do carnaval de rua na cidade de São Paulo, a Prefeitura anunciou nesta sexta-feira (30) que a capital paulista deve receber 16,5 milhões de foliões durante os oito dias de carnaval de rua oficial, no mês de fevereiro. A estimativa considera o pré-carnaval (7 e 8 de fevereiro), o carnaval (14 a 17 de fevereiro) e o pós-carnaval (21 e 22 de março). Em coletiva de imprensa, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirmou que 627 blocos de rua desfilarão nas ruas da cidade, em todas as regiões, com 11 megablocos se apresentando nos principais circuitos de cortejos – um recorde de blocos inscritos. Entre as apresentações dos megablocos estão os artistas Ivete Sangalo, Léo Santana, Alceu Valença, Jammil, Baiana System, Michel Teló, Thiago Abravanel, Luísa Sonza, Lauana Prado, Gustavo Mioto e o DJ escocês Calvin Harris. SP terá 630 blocos de rua no Carnaval 2026 Os 11 circuitos de desfiles de blocos serão nos seguintes endereços: Parque Ibirapuera Av. Brig. Faria Lima Av. Hélio Pellegrino Rua dos Pinheiros Rua Henrique Shaumann Av. Marques de São Vicente Laguna Rua Paulo VI Praça da República Rua da Consolação Rua Augusta Estrutura Gustavo Pires, presidente da SPTuris, fala sobre a organização do carnaval de rua de São Paulo nesta sexta-feira (30), na sede da Prefeitura, no Centro. Reprodução/TV Globo Para receber a megafesta de rua, a prefeitura diz que está montando uma enorme estrutura com 30 mil banheiros químicos espalhados pela cidade, 158 pontos de hidratação e 20 postos médicos darão suporte aos foliões. A gestão municipal planeja colocar à disposição dos foliões de 1.800 profissionais da área de saúde, com 174 ambulâncias (32 delas com Unidade de Terapia Intensiva). Cada posto médico terá ao menos 3 médicos se revesando, além de seis tendas com psicólogos e assistentes sociais para acolhimento de vítimas de assédios e outros crimes. LEIA TAMBÉM: 'Manual de sobrevivência' do carnaval em SP: veja dicas de segurança e saúde durante a folia ENTENDA: Carnaval é feriado ou ponto facultativo em SP? PROGRAME-SE: veja horários e trajetos O presidente da SPTuris, Gustavo Pires, responsável pela organização do carnaval municipal deste ano, disse que 100% da infraestrutura do carnaval será paga pela iniciativa privada. Segundo ele, é a primeira vez na história que a gestão municipal não precisa aportar dinheiro na festa. “É o maior, melhor e mais organizado [carnaval] do Brasil”, disse Pires - apesar dos trajetos e dias dos blocos terem sido divulgados a uma semana do início dos desfiles, em 7 de fevereiro. Apesar dos números expressivos, organizadores de blocos relatam dificuldades financeiras para colocar os desfiles na rua. Eles criticam o valor considerado insuficiente de fomento oferecido pela prefeitura — R$ 2,5 milhões — além da forte concorrência com os megablocos, que contam com grandes artistas, como Ivete Sangalo e Luísa Sonza (veja mais abaixo). Segurança Pública Para garantir a segurança dos desfiles, o secretário de Segurança Urbana, Orlando Morando, diz que 58 mil agentes entre gcms, PMs e seguranças privados da SPTuris - que fazem revistas nos mega blocos – trabalharão nas imediações dos circuitos de festa nos oito dias de festa. A média é de 7.250 agentes de segurança atuando por dia na cidade, nas datas dos cortejos. A segurança será reforçada, segundo a gestão Nunes, com o uso de 482 câmeras do programa Smart Sampa e 23 drones nas áreas de apresentação dos megablocos. Em toda a cidade, são 40 mil câmeras do Smart Sampa já disponíveis para monitoramento, disse o secretário Morando. Calendário do carnaval de rua de SP em 2026: Pré-carnaval: dias 7 e 8 de fevereiro Carnaval: 14, 15, 16 e 17 de fevereiro Pós-carnaval: 21 e 22 de fevereiro Programação Desfile do Bloco Pipoca da Rainha de Daniela Mercury em São Paulo neste domingo (1) HENRIQUE BARRETO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO No dia 23 de janeiro, a Prefeitura de São Paulo já tinha divulgado nesta sexta-feira (23) a lista oficial dos blocos de rua do Carnaval 2026. A demora sobre a definição da programação foi alvo de críticas. A região da Sé, no Centro da cidade, concentra o maior número de desfile, com 157 blocos programados, o equivalente a um quarto do total. Entre eles, estão nomes tradicionais e de grande público, como Pipoca da Rainha com Daniela Mercury, Meu Santo é Pop, Minhoqueens, Bloco Je Treme Mon Amour, Explode Coração e Domingo Ela Não Vai. Em segundo lugar, vem o distrito de Pinheiros, na Zona Oeste, com 92 desfiles. Entre os destaques estão o Bloco Casa Comigo e o Bloco do Abrava, do cantor e ator Tiago Abravanel, que, tradicionalmente, atraem multidões em suas saídas. Uma das novidades deste ano é o bloco puxado pela cantora Ivete Sangalo, que vai se apresentar pela 1ª vez no carnaval de SP, no circuíto do Parque Ibirapuera, em 7 de fevereiro (veja detalhes aqui). Segundo a prefeitura, a programação ainda está sujeita a alterações de horários e trajetos. CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DOS BLOCOS: Críticas Além de criticar a demora na divulgação, organizadores dos blocos criticavam a demora na organização, cobram diálogo com a prefeitura e questionavam o valor do fomento para o carnaval de rua, que consideram insuficiente. Eles argumentam que a demora na divulgação da programação oficial dificultou o planejamento e a captação de recursos. “Se o bloco não sabe se vai sair, não consegue vender cota de apoio nem se organizar financeiramente”, diz José Cury Filho, coordenador do Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo, que reúne cerca de 200 agremiações. Cobrança por mais diálogo Em setembro do ano passado, a prefeitura publicou um decreto que criou a Comissão Especial de Organização do Carnaval de Rua 2026. Contudo, o grupo é formado apenas por secretarias, órgãos e empresas municipais, sem participação popular ou representação dos blocos. Para Zé Cury, as decisões da gestão Ricardo Nunes (MDB) são tomadas sem considerar a experiência de quem faz o carnaval de rua acontecer. Segundo ele, não existe uma interlocução entre a prefeitura e os coletivos de blocos. "O diálogo está absolutamente esquecido. Não há uma autoridade constituída que considere a cultura do carnaval eleita para falar com os coletivos de blocos. O secretário da Cultura [Totó Parente] nunca reuniu os coletivos de blocos para conversar sobre este carnaval”, reforça. Ensaios, blocos e festas já esquentam pré-carnaval em SP; confira programação Carnaval faz a capital faturar bilhões de reais Essa avaliação é reforçada por Thiago França, fundador da Espetacular Charanga do França. "Estou indo para o meu 11º carnaval, e é a quarta gestão [na prefeitura]. As pessoas vêm e vão. Quem está há dez anos fazendo carnaval sou eu. Quem sabe fazer sou eu, são os blocos que sabem fazer. As gestões são transitórias. Então, sempre as pessoas com mais experiência, que são os fazedores de carnaval, são as pessoas que não são escutadas nesse processo", diz França. Para o coordenador do Fórum, o carnaval de rua não vem sendo tratado como movimento cultural. “O carnaval está sendo tratado apenas como entretenimento de massa. Ele não está sendo observado sob a ótica da cultura do carnaval de rua de São Paulo, que é de resiliência e resistência”, afirma. Thiago França complementa que, embora o impacto econômico seja frequentemente destacado pela gestão pública, o aspecto cultural da festa é negligenciado. "O faturamento é importante para a prefeitura e para quem não conhece o carnaval, para entender a dimensão. Mas, culturalmente, isso é a nossa identidade. O Brasil é conhecido no mundo inteiro pelo carnaval. E eles estão tentando matar. A gente vai ser conhecido pelo quê? O que define o povo são as tradições, as festas, o nosso modo de viver. E eles estão querendo acabar com isso", afirma o fundador do Charanga. A prefeitura afirma manter a Central Permanente do Carnaval, um canal direto de diálogo e orientação, com atendimento presencial, por telefone, WhatsApp e e-mail. Contudo, segundo Thiago França, o canal não funciona na prática. "Você liga lá e conta os seus problemas. O pessoal diz que vai ver e retornar. E nada é dado sequência. Os blocos não são ouvidos, e a gente tem demandas", afirma. Os organizadores também questionam o modelo de fomento municipal, que atende apenas parte dos blocos e é definido muito próximo do carnaval, o que gera disputas e desigualdades. Neste ano, somente 100 blocos foram selecionados para receber apoio financeiro de até R$ 25 mil cada um, totalizando R$ 2,5 milhões em recursos da gestão municipal. SP terá 630 blocos de rua no Carnaval 2026 No ano passado, o carnaval da cidade de São Paulo atraiu 16 milhões de foliões e movimentou R$ 3,4 bilhões, com criação de 50 mil empregos diretos e indiretos entre 22 de fevereiro e 9 de março. Para os organizadores ouvidos pelo g1, apesar do impacto econômico expressivo e da arrecadação de impostos gerada pela festa, o retorno em políticas públicas para os blocos é considerado extremamente baixo, representando menos de 0,07% do total movimentado. A organizadora Thais Haliski, do bloco Acadêmicos da Cerca Frango e uma das fundadoras da Comissão Feminina do Carnaval de Rua, relata que os custos para colocar um bloco na rua cresceram de forma exponencial nos últimos anos. Segundo ela, despesas com caminhão, cordeiros, ensaios em estúdio e estrutura básica podem ultrapassar R$ 60 mil, valor muito superior ao fomento oferecido pela prefeitura. “O recurso não cobre nem metade do custo real”, afirma. Para viabilizar os desfiles, muitos blocos precisam promover festas pagas e correr atrás de patrocinadores ao longo do ano. De acordo com Thais, essa lógica tem transformado o carnaval em um negócio obrigatório, com impacto direto na identidade dos blocos. "A cada ano que passa, a gente tem que fazer mais festas, mais dinheiro precisa entrar, que todo mundo coloca do próprio bolso. A gente tem que ir atrás de patrocinador, fazer reunião. Porém, eles exigem contrapartidas que muitas vezes descaracterizam os blocos. Então, em vez de a bateria sair, por exemplo, fantasiada, tem que sair com uma camiseta que obrigatoriamente tenha o logo do patrocinador", desabafa. Tanto Thais quanto Cury defendem a criação de uma política pública permanente para o carnaval de rua, com regras claras, planejamento antecipado e participação direta dos blocos nas decisões. Segundo eles, a ausência de uma legislação específica faz com que cada gestão altere o modelo da festa, gerando insegurança e desgaste para quem organiza. O que diz a prefeitura "A Prefeitura de São Paulo informa que o cronograma do Carnaval de Rua 2026 segue a programação divulgada desde setembro do ano passado e não há qualquer atraso. Os blocos com mais de 15 mil participantes tiveram até 15 de janeiro para enviar o Plano de Operação e Segurança, que está em fase de validação pelos órgãos competentes, conforme previamente anunciado. Para garantir a comunicação constante, a Prefeitura mantém a Central Permanente do Carnaval, canal direto de diálogo e orientação, com atendimento presencial, por telefone, WhatsApp e e-mail. Sobre o fomento, a gestão destaca que R$ 2,5 milhões são destinados a um dos segmentos do Carnaval, uma festa de grande porte que envolve diversas frentes culturais e de organização. O montante permite que até 100 blocos recebam R$ 25 mil cada para a produção, o desenvolvimento e a difusão das atividades do Carnaval de Rua em 2026, sem prejuízo da necessidade de investimentos em outras áreas da programação." Foliões se divertem com o bloco Perdi Foi Tudo na Rua Augusta, região centro-sul de São Paulo. Wagner Origenes/Ato Press/Estadão Conteúdo

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