Presa por furto de material do laboratório de virologia é professora doutora da Unicamp
Soledad Palameta Miller, professora doutora da Unicamp, foi presa por suspeita de furtar material biológico de laboratório de virologia da universidade. Arqui...
Soledad Palameta Miller, professora doutora da Unicamp, foi presa por suspeita de furtar material biológico de laboratório de virologia da universidade. Arquivo pessoal A mulher presa em flagrante pela Polícia Federal (PF), na tarde desta segunda‑feira (23), por suspeita de furtar material biológico da Unicamp é professora doutora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da universidade. Soledad Palameta Miller, que tem 36 anos e é natural da Argentina, pode responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado, de acordo com a corporação. Miller foi levada à Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP) e passará por audiência de custódia nesta terça-feira (24). O advogado de defesa da pesquisadora, Pedro de Mattos Russo, afirmou que não há materialidade de furto e que Miller utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. A defesa trabalha para tentar restabelecer a liberdade da pesquisadora. A PF informou que o material biológico furtado do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp foi recuperado e "encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise". O laboratório possui centros que operam com níveis 2 e 3 de biossegurança (NB-2 e NB-3). A classe três, por exemplo, envolve alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade - saiba mais abaixo. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp PF prende mulher suspeita de furtar material biológico da Unicamp Segundo o portal do Docente e Pesquisador da Unicamp, Miller coordena, atualmente, o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos em linhas de pesquisa orientadas a vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água. ➡ A pesquisadora atuou como analista no Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer. Realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp em projetos relacionados ao desenvolvimento de vacinas vetorizadas, protótipos de testes rápidos para diagnóstico de doenças aviárias e estabelecimento de modelos alternativos para diagnóstico e produção de vacinas veterinárias. Órgãos públicos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Polícia Federal, o Ministério da Agricultura e a Unicamp mantêm sob sigilo as informações sobre o material biológico furtado. Procuradas pelo g1, as instituições informaram que a apuração está sob responsabilidade da Polícia Federal e que, por isso, apenas o órgão pode se manifestar. Pelo o que a suspeita pode responder? De acordo com o documento da Justiça Federal que confirma a prisão em flagrante, Miller é suspeita de: expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente, que prevê pena de detenção,de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave; subtrair coisa alheia móvel (furto), qualificado por abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza, que prevê pena de reclusão de dois a oito anos e multa; fraude processual, alterar o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, para induzir juiz ou perito a erro, que prevê pena de detenção de três meses a dois anos e multa; produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar organismos Geneticamente Modificados (OGM) ou seus derivados, sem autorização ou em desacordo com as normas estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização, que prevê pena de reclusão de 1 a 2 anos e multa. Níveis de biossegurança Instituto de Biologia da Unicamp Reprodução/EPTV ➡️ O laboratório onde ocorreu o furto possui centros que operam com níveis 2 e 3 de biossegurança (NB-2 e NB-3). Classe de risco 2 (moderado risco para o indivíduo e baixo para a comunidade): segundo o Ministério da Saúde, inclui agentes que podem causar infecções em humanos ou animais, mas se espalham pouco e têm tratamentos e prevenções eficazes. Exemplos: Schistosoma mansoni e vírus da rubéola. Classe de risco 3 (alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade): são agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). Interdição de laboratórios Unicamp interdita laboratórios após furto de material de pesquisa, e Polícia Federal é acionada Junia Vasconcelos/EPTV Todos os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) foram interditados temporariamente por conta do crime na manhã de segunda-feira (23). De acordo com a PF, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos para localizar o material biológico furtado, que estava dentro da própria Unicamp. A desinterdição dos laboratórios ocorreu no início da tarde de segunda-feira. Segundo a PF, a própria universidade comunicou o desaparecimento das amostras, o que levou à abertura do inquérito policial. A reitoria da Unicamp afirmou, também na segunda-feira, que o furto ocorreu nas dependências do Instituto de Biologia, com possíveis consequências para as atividades da FEA. "Em razão da gravidade do fato e da natureza do patrimônio científico envolvido, a Instituição acionou prontamente a Polícia Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a condução das investigações e procedimentos periciais necessários", informou. As aulas na graduação e nos laboratórios de ensino foram mantidas. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas