Quase nota mil: estudante formado e candidata que mudou de curso tiram mais de 900 na redação do Enem e dão dicas
Angélica e Heitor tiraram mais de 900 na prova de redação do Enem Arquivo Pessoal Dois estudantes que já haviam passado pela graduação decidiram voltar ao...
Angélica e Heitor tiraram mais de 900 na prova de redação do Enem Arquivo Pessoal Dois estudantes que já haviam passado pela graduação decidiram voltar aos estudos para tentar uma nova vaga no ensino superior, e o esforço deu resultado. Heitor Gonçalves da Silva, de 24 anos, e Angélica Kaori Hirata, de 22, moradores de São Paulo, alcançaram notas acima de 900 na redação e em matemática no Enem 2025, ficando muito perto da pontuação máxima. Agora, além de comemorarem o desempenho, eles compartilham a trajetória de retomada dos estudos e dão dicas para quem sonha com uma nota alta. Aluno do Anglo Play, Heitor obteve 959,5 pontos em matemática, quase a pontuação máxima, e 920 na redação. Formado em Engenharia Bioquímica pela Universidade de São Paulo, ele pretende ingressar em sua segunda graduação, no curso de Psicologia, também na USP. Segundo ele, a maior dificuldade foi retomar conteúdos que não via havia anos. “Para mim, a principal dificuldade em retomar os estudos para o Enem foi ter ficado distante de alguns conteúdos do ensino médio, sobretudo a questão de história, geografia, filosofia e biologia. O conteúdo programático extenso dessas matérias é denso, e em muitas vezes, surgia a sensação de estar os vendo ‘pela primeira vez’. Além disso, lidar com o formato longo e cronometrado do Enem exigiu muito que reaprendesse a lidar com o tempo nesse vestibular.” Heitor conta que se surpreendeu ao ver as notas. “Sem dúvidas, me surpreendi e muito quando vi as notas! Quando a gente termina o Enem, que é puxado, sempre sobra aquela dúvida se fizemos bem o suficiente na hora. Então, quando as notas apareceram, foi uma grande surpresa, e uma constatação de que todo o esforço gerou frutos, que valeram muito a pena!” LEIA TAMBÉM: Como utilizar a nota do Enem para estudar no Brasil ou no exterior Lagarto 'do Ozempic' no Enem: você acertaria a questão? A rotina de estudos incluía aulas virtuais do cursinho pela manhã, de segunda a sábado, tarefas à tarde e simulados aos domingos. “Minha rotina de estudos consistia nas aulas virtuais do cursinho Anglo pela manhã, segunda a sábado, com tarefas de tarde, focando naqueles conteúdos em que mais tinha dificuldade e reforçando-os com listas complementares disponibilizadas. A depender da matéria, se estivesse bem familiarizado com ela, era possível alterná-la por um reforço ou atividade de lazer, e isso acabou ajudando muito para o aproveitamento do tempo. Aos domingos, havia simulados que realizava.” Para a redação, ele buscou ampliar repertório cultural e treinar a estrutura do texto. “Quanto à redação, o estudo foi um pouco diferente, porque em parte dependia da expansão de repertório, vendo filmes, séries, lendo livros e afins, e do exercício do modelo dissertativo-argumentativo, escrevendo, que foi essencial para familiaridade com a redação. Além das aulas e simulados do cursinho, minha namorada Laura, foi essencial nessa trajetória da redação, pois com ela, era possível conversar sobre temas, argumentos e sobre a escrita em si, tendo me ajudado também com correções e opiniões sobre meus textos até o final dessa verdadeira jornada.” Ao dar dicas para quem busca notas acima de 900, Heitor destaca que não basta dominar o conteúdo. “Alcançar uma nota acima de 900 vai além de dominar o conteúdo programático, que é aquilo em que, bem ou mal, mais se foca: ela depende tanto dele quanto da gestão de tempo, da familiaridade com o Enem, e, sobretudo, da clareza mental ao fazer a prova.” Ele recomenda evitar modelos prontos na redação, aproveitar repertórios culturais próprios e pensar no texto desde o início da prova. “Tenho algumas dicas para essas duas notas: primeiro, em redação, é não usar, em hipótese alguma, ‘modelos prontos’, nem os ‘repertórios de bolso’. Na hora de escrever a redação, é preciso saber que tudo aquilo que temos de disciplinas, filmes, séries, músicas favoritas etc. é ‘repertório cultural’, e na medida em que se encaixa no tema de redação, pode ser aproveitado na construção do texto." "Também recomendo para os colegas que, no primeiro dia, já se familiarizem com o tema de redação no início. Se você começar compreendendo o tema e pensando acima dos textos-base, e mobilizando possíveis repertórios, vai conseguir ir pensando nos seus argumentos ao longo da resolução do resto da prova, para então produzir o texto bem mais rápido do que se o deixasse para o final", ressaltou. Dicas de alunos que tiraram nota mil na redação do Enem Em matemática, ele reforça a importância das questões mais simples e da estratégia de tempo. “Quanto à matemática, sei que há muito receio quanto a essa parte do Enem, por ser extensa. Primeiramente, é preciso entender que, em vista da TRI, as questões mais simples são muito importantes ao compor a sua nota. Então, recomendo que se preocupe com a resolução destas antes daquelas que são mais complicadas. Pular uma questão para resolver depois não é problema, desde que vá progredindo e então voltando para solucioná-las". E comeplementou: "E mais uma sugestão: no segundo dia, para que não se sintam sobrecarregados, recomendo alternar as questões de Ciências da Natureza com a de Matemática. Por exemplo, metade de uma prova e então de outra, e assim vai. Isso permite resolver de forma mais leve as questões, e otimiza muito o tempo da resolução. Trajetória com mudanças e foco na arquitetura Angélica Kaori Hirata, de 22 anos Arquivo Pessoal Angélica Kaori Hirata, de 22 anos, obteve 959,3 pontos em matemática e 960 pontos na redação do Enem. De São Paulo, ela pretende cursar arquitetura na USP e passou por diferentes graduações até se decidir. “Passei por três outras faculdades: FIAP - produção multimídia, que acabei não cursando por entrar em Terapia Ocupacional na USP, onde só fiquei um mês. Não sabia exatamente o que eu queria, por isso tantas mudanças. Fiz um ano de ADS [Análise de Desenvolvimento de Sistemas] na Fatec Tiradentes e finalmente decidi que queria arquitetura na USP.” Angélica conta que entrou no Anglo em 2025 após perceber que precisava de uma rotina mais estruturada. “Em 2025 acabei entrando nas turmas de maio do anglo porque percebi que estudar sozinha não era meu forte, e como eu já conhecia o anglo de outras experiências de cursinho anteriores, achei que era minha melhor opção, ainda mais pelo custo benefício!” Segundo Angélica, a maior dificuldade foi se sentir deslocada por ser mais velha que parte da turma. “A maior dificuldade foi achar que eu não me encaixaria no cursinho, né? Por já estar mais velha que os outros, então acho que eu esperava encontrar uma maior dificuldade nisso, mas eu fiz vários amigos com a minha idade, o que me tranquilizou muito nessa sensação de estar atrasada em relação a outros que já estão se formando, inclusive. Então, acho que este foi o principal desafio, mas a rotina de estudos já era uma coisa que eu estava um pouco mais acostumada, então que não foi um desafio tão grande.” Enem 2025: professores do Anglo comentam riscos de fuga do tema da redação Para ela, treino constante é o segredo para uma redação acima de 900. “Acho que para tirar mais de 900 na redação, especificamente, o segredo é o treino. Escrever várias redações, estudar os eixos temáticos que os professores passam no cursinho, e estudar os tipos de repertório para cada eixo temático. Acho que isso te tranquiliza. A maior insegurança que a redação passa é a que você nunca sabe qual vai ser o tema", afirmou Em matemática, ela também reforça a importância de refazer provas antigas. “Já na matemática, também é treino, mas eu acredito que refazer provas antigas ajuda muito, muito mesmo. Porque você entende a estrutura, como as perguntas são feitas, quais pegadinhas caem, porque sempre tem pegadinhas. Mas quando você refaz várias provas, você entende de que maneira essas pegadinhas aparecem. Então, ajuda muito você a estudar o que já aconteceu. Por mais que a prova tenha mudado um pouco, ainda é bem útil.” Angélica também afirma que priorizou descanso e saúde mental. “Por já ser, acho que a terceira vez que eu entro no cursinho, eu estava mais familiarizada com a rotina e priorizei mais o descanso e a saúde mental para o estudo ser produtivo de verdade. Então, eu dormia bastante de noite, descansava, e na hora de estudar, estudava bem.” Hoje, a estudante diz estar confiante com as prévias de nota de corte. “Segundo as prévias de notas de corte, estou bem confiante. No Enem Usp estou 21 pontos acima da última prévia e no Sisu também estou bem acima”, enfatizou.