Renan Santos fala em 'banho de sangue' contra facções e defende criar até 500 mil vagas em presídios
Renan Santos Reprodução O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, defendeu nesta terça-feira (25) o endurecimento do combate ao cri...
Renan Santos Reprodução O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, defendeu nesta terça-feira (25) o endurecimento do combate ao crime organizado, afirmou que pretende ampliar o sistema prisional brasileiro e criticou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o Bolsa Família, o bolsonarismo e o tipo penal de feminicídio. Em sabatina ao canal TMC, Renan falou em "banho de sangue" contra criminosos e disse que pretende criar até 500 mil novas vagas em presídios brasileiros. 'Banho de sangue' Ao comentar o enfrentamento ao crime organizado, Renan afirmou que pretende agir com rigor contra lideranças de facções criminosas e usou a expressão "banho de sangue" ao se referir aos integrantes dessas organizações. "Eu quero fazer um banho de sangue com eles. Eu não vejo nada além de matar um sujeito como Doca [Edgar Alves de Andrade, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) no Rio, e que está foragido, sendo procurado por tráfico de drogas e homicídios]. E eu falo isso não porque eu quero ganhar votos. Eu perco alguns votos. Algumas pessoas se assustam com o que eu estou falando. É porque você não poderá salvar nem a alma, nem a mente de uma pessoa que já participa direta ou indiretamente de dezenas de mortes diárias." Na sequência, o candidato afirmou que o Comando Vermelho seria responsável por mortes em diferentes regiões do país. "As pessoas não entendem. O Comando Vermelho é muito pior do que qualquer coisa que possui na história do Brasil. Diariamente, dezenas de pessoas morrem ao redor do Brasil em conflitos tocados pelo Comando Vermelho." 500 mil vagas em presídios Renan também defendeu uma ampla reforma do sistema prisional e disse que será necessário ampliar significativamente o número de vagas nas cadeias brasileiras. "Nós precisamos fazer uma reforma completa do sistema prisional brasileiro, afastando o comando do crime organizado que tem ali dentro, afastando agentes penitenciários corruptos que permitem que isso aconteça." Segundo ele, será necessário construir novos presídios e reduzir a superlotação nas unidades existentes. "Você vai precisar construir presídios, sim, e você vai precisar reformar as cadeias para que elas se pareçam mais com presídios e acabar com a superlotação. Sim, o senhor vai precisar fazer de 300 a 500 mil vagas no sistema prisional brasileiro." O candidato afirmou que pretende aumentar as penas e ampliar o encarceramento. "Eu vou ter que prender muito mais gente e eu vou aumentar as penas. Elas vão ficar presas por mais tempo, então eu vou ter que fazer mais vagas porque vai ter mais gente presa por mais tempo." Ele disse ainda que a necessidade final de novas vagas dependerá dos resultados das medidas de combate à criminalidade. "Isso vai ter um efeito de dissuasão. Pode ser que boa parte da bandidagem simplesmente pare de cometer crimes. E aí eu não vou precisar prender tanta gente." Em Maceió, Renan Santos promete projeto de até R$ 1,5 trilhão para 'desfavelar' o Brasil CLT e Bolsa Família Durante a entrevista, Renan também criticou o modelo trabalhista atual e afirmou que a CLT teria se tornado inviável. O modelo da CLT é um modelo que deu errado. "Se a pessoa é contratada da CLT, ela perde metade do que ela deveria receber para dar para o governo em impostos." Segundo o candidato, o objetivo seria criar um novo regime de contribuição. "Todos contribuem, mas todos, como a gente aumenta a base de arrecadação, todo mundo contribui menos, mas aí o sistema fica de pé." Ao abordar programas sociais, ele afirmou que a combinação entre Bolsa Família, um dos programas sociais do governo Lula, e trabalhos informais contribuiria para a manutenção da pobreza em parte do país. "Um pouquinho de Bolsa Família, um bico. O cara vai ficar para sempre pobre. Não vai dar para você fazer bico e ganhar mais de R$ 3 mil, R$ 4 mil por mês. Então aquela pessoa vai ficar sempre naquela linha da pobreza, sobrevivendo." MBL e bolsonarismo Questionado sobre ex-integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) que migraram para o PL (Partido Liberal), Renan atribuiu as saídas ao oportunismo político e fez críticas ao bolsonarismo. Renan foi um dos fundadores do MBL. "Todos os que saem acabam virando bolsonaristas. Eles estão procurando um caminho fácil." "O bolsonarismo é uma forma de você enganar idosos. O bolsonarismo é muito parecido com o escândalo do INSS. É um golpe que você dá em idosos para tirar o dinheirinho deles sem que eles percebam direito o que está acontecendo." Ele também afirmou que ex-aliados teriam mudado de posicionamento após serem eleitos. "Todas essas pessoas são desonestas porque falavam uma coisa antes de ganhar a eleição. Depois que ganham, falam outra." Sobre o uso de colete à prova de balas em aparições públicas, Renan disse que utiliza o equipamento apenas quando há recomendação da Polícia Federal (PF). "Eu acho cafona colocar colete." Feminícidio O candidato também voltou a comentar declarações anteriores sobre feminicídio e afirmou que o tipo penal é uma criação recente, embora o crime existisse antes de sua tipificação. "O tipo penal feminicídio é uma criação recente, mas existe o crime motivado pela relação homem e mulher, em que a mulher, na sua existência enquanto ser feminino, é vítima disso." Em seguida, afirmou que os casos enquadrados como feminicídio representam parcela menor dos homicídios registrados no país e comparou os números à violência contra crianças. "Todo dia morre pelo menos 10 mulheres. Em média, seis mulheres são vítimas de latrocínio. Quatro são vítimas do tipo penal feminicídio. Todo dia 12 crianças morrem. Crianças e adolescentes. Nunca falam do infanticídio, falam só do feminicídio." Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de quatro mulheres mortas por dia por feminicídio no Brasil foi recorde em 2025 no país.